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PS e Chega apontam "atrasos" no apoio às vítimas das tempestades: "Percebi a estupefação do Presidente da República"

PS e Chega apontam "atrasos" no apoio às vítimas das tempestades: "Percebi a estupefação do Presidente da República"

Na véspera de o Presidente da República apresentar ao país o balanço da Presidência Aberta que continua a realizar na região Centro, PS e Chega mantêm as críticas à resposta que tem sido dada às populações e acusam o Governo de "atrasos" nos pagamentos após as fortes tempestades de há dois meses.

João Alexandre /

Fotografias: Jorge Carmona

No programa Entre Políticos, João Ribeiro, deputado do Chega eleito pelo distrito de Castelo Branco, apontou um desfasamento entre o discurso do Executivo e a realidade no terreno: “O Governo diz que foi muito rápido a responder, mas as populações sentem que os apoios ainda não chegaram”, afirmou.

Estive logo no primeiro dia [da Presidência Aberta] com o Presidente da República. Percebi, no fundo, a estupefação do Presidente da República. A informação que é passada publicamente não é aquilo que se sente na realidade", disse, em declarações na RTP Antena 1.

O deputado criticou ainda os entraves no acesso ao financiamento: “Os bancos estão a pedir um aval pessoal às empresas. Não foi isto que foi anunciado. Efetivamente, o dinheiro não está a chegar”, disse João Ribeiro.

Durante o debate, o parlamentar acrescentou ainda: "A destruição é muito grande e é muito importante termos o Presidente da República presente para trazer este tema para a atualidade. Espero que o Governo tenha aqui uma dose de realidade. É preciso mais rapidez".

Pelo PS, o deputado Nuno Fazenda acusa o Governo de "falhanço total" no apoio às populações e critica os atrasos no pagamentos das ajudas a pessoas e empresas.

"[Em Leiria] foram apresentadas mais de 9200 candidaturas para as famílias. Apenas 179 foram pagas. Isto diz bem daquilo que foi o falhanço total relativamente àquilo que era dito - que em 15 dias se estava a resolver os problemas. Dois meses depois, as famílias ainda estamos muito aquém. Nas empresas, há também atrasos de que os empresários têm dado conta", afirma.

O ex-secretário de Estado do PS critica ainda alguns dos anúncios do Governo sobre linhas de crédito, considerando que o modelo apresenta "mais dívida" às populações: "E mesmo nessas linhas de crédito há atrasos verificáveis".
Sobre a presença de António José Seguro nos territórios mais afetados, o deputado entende que serve para "dar voz a quem não tem voz", e insiste que a iniciativa é também uma resposta ao Governo de Luís Montenegro.

Houve muitos anúncios. O problema é a concretização no terreno. E essa não está a acontecer", aponta.
Apesar das divergências, há consenso quanto ao papel da presidência aberta. Os três deputados consideram que a presença de António José Seguro no terreno ajuda a dar visibilidade aos problemas e a pressionar as entidades responsáveis.
"Presença do Presidente da República cria uma pressão positiva", diz deputado do PSDNo programa Entre Políticos, o deputado Hugo Oliveira, do PSD, defendeu que a presença do chefe de Estado junto das populações afetadas tem sido um fator de "pressão positiva" e recusa qualquer tipo de tensão entre Belém e São Bento a propósito da Presidência Aberta pela região Centro.

O mais importante é que isto não caia no esquecimento. A presença do Presidente da República cria uma pressão positiva, reconhecendo no terreno as dificuldades e ajudando a que as coisas se ultrapassem”, afirmou.

O social-democrata reconheceu atrasos nas ajudas, mas defendeu que houve "rapidez" na resposta inicial do Executivo: “há algum atraso? Há, e foi reconhecido. Mas, nenhum Governo respondeu de forma tão rápida. Se é preciso corrigir, corrige-se”, disse.
Hugo Oliveira considera ainda que há um "alinhamento" entre António José Seguro e Luís Montenegro sobre o processo e recuperação após a tragédia.

"A intenção é a mesma e estão articulados. A intenção de qualquer governo é resolver o problema de forma rápida. Não tenho dúvidas de que, em 2017, se tentou resolver o problema depois dos incêndios. O facto é que ainda temos algumas coisas penduradas desde 2017, infelizmente", diz.

O deputado defende ainda que ainda que o Executivo tem sido consistente nos apoios, mas que tem sido difícil contornar a burocracia.

"A burocracia do nosso país leva a que as coisas se atrasem um pouco mais. É preciso garantir rigor naquilo que é a atribuição, porque, se calhar, há uma ideia de algum facilitismo. Ele tem de existir, mas com o rigor necessário", conclui.

O Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.
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