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PS e Chega apontam "atrasos" no apoio às vítimas das tempestades: "Percebi a estupefação do Presidente da República"
Na véspera de o Presidente da República apresentar ao país o balanço da Presidência Aberta que continua a realizar na região Centro, PS e Chega mantêm as críticas à resposta que tem sido dada às populações e acusam o Governo de "atrasos" nos pagamentos após as fortes tempestades de há dois meses.
Fotografias: Jorge Carmona
“Estive logo no primeiro dia [da Presidência Aberta] com o Presidente da República. Percebi, no fundo, a estupefação do Presidente da República. A informação que é passada publicamente não é aquilo que se sente na realidade", disse, em declarações na RTP Antena 1.
O deputado criticou ainda os entraves no acesso ao financiamento: “Os bancos estão a pedir um aval pessoal às empresas. Não foi isto que foi anunciado. Efetivamente, o dinheiro não está a chegar”, disse João Ribeiro.
Durante o debate, o parlamentar acrescentou ainda: "A destruição é muito grande e é muito importante termos o Presidente da República presente para trazer este tema para a atualidade. Espero que o Governo tenha aqui uma dose de realidade. É preciso mais rapidez".
Pelo PS, o deputado Nuno Fazenda acusa o Governo de "falhanço total" no apoio às populações e critica os atrasos no pagamentos das ajudas a pessoas e empresas.
"[Em Leiria] foram apresentadas mais de 9200 candidaturas para as famílias. Apenas 179 foram pagas. Isto diz bem daquilo que foi o falhanço total relativamente àquilo que era dito - que em 15 dias se estava a resolver os problemas. Dois meses depois, as famílias ainda estamos muito aquém. Nas empresas, há também atrasos de que os empresários têm dado conta", afirma.
Apesar das divergências, há consenso quanto ao papel da presidência aberta. Os três deputados consideram que a presença de António José Seguro no terreno ajuda a dar visibilidade aos problemas e a pressionar as entidades responsáveis.
"Presença do Presidente da República cria uma pressão positiva", diz deputado do PSDNo programa Entre Políticos, o deputado Hugo Oliveira, do PSD, defendeu que a presença do chefe de Estado junto das populações afetadas tem sido um fator de "pressão positiva" e recusa qualquer tipo de tensão entre Belém e São Bento a propósito da Presidência Aberta pela região Centro.
“O mais importante é que isto não caia no esquecimento. A presença do Presidente da República cria uma pressão positiva, reconhecendo no terreno as dificuldades e ajudando a que as coisas se ultrapassem”, afirmou.
"A intenção é a mesma e estão articulados. A intenção de qualquer governo é resolver o problema de forma rápida. Não tenho dúvidas de que, em 2017, se tentou resolver o problema depois dos incêndios. O facto é que ainda temos algumas coisas penduradas desde 2017, infelizmente", diz.
O deputado defende ainda que ainda que o Executivo tem sido consistente nos apoios, mas que tem sido difícil contornar a burocracia.
"A burocracia do nosso país leva a que as coisas se atrasem um pouco mais. É preciso garantir rigor naquilo que é a atribuição, porque, se calhar, há uma ideia de algum facilitismo. Ele tem de existir, mas com o rigor necessário", conclui.
O Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.